Considerado um dos melhores jogadores daquele time do Fla que fez história comandado por Zico e Junior, Adílio encarnou com perfeição tudo o que um meia-armador precisa ser
Adílio deslizava em campo, driblando adversários com a agilidade e fluidez só comparáveis as de um patinador de hóquei no gelo, dominando a bola como se fosse um bastão perfeitamente controlado; com a mesma perícia de um grande jogador de hóquei em busca do gol, ele passava e chutava a bola com uma tacada certeira, deslizando-a sobre o gramado, fazendo a defesa adversária gelar.
Nascido em 15 de maio de 1956, o Adílio Oliveira Gonçalves é um verdadeiro carioca da gema. Desde moleque, ele já tinha uma conexão com o Flamengo que ia além do normal. Morador da Cruzada São Sebastião, que é uma área pobre encravada no rico bairro do Leblon, ele praticamente cresceu pulando os muros do clube da Gávea só pra ver os treinos do time. Pois é, o futuro craque já tinha o Mengão no coração.
De fato, Adílio sempre foi visto desde cedo como uma promessa do futebol. Vale lembrar que ele foi lapidado para o ser, pois, quando nasceu, ganhou de presente após o parto um par de chuteiras (que só usaria aos sete anos)! Esse par de chuteiras foi a única lembrança que guardou do pai biológico, uma vez que Adílio acabou sendo adotado.
Adílio e a família
Na verdade, Adílio desempenhou um papel vital na criação de seus irmãos, guiando-os com cuidado e responsabilidade. Seu notável talento e empenho não só proporcionaram apoio financeiro, mas também serviram de inspiração para que cada um alcançasse seus objetivos. O comprometimento de Adílio transcendeu as expectativas familiares, tornando-o uma figura influente no desenvolvimento de seus irmãos e evidenciando a força de seus laços familiares.
Ainda durante a infância, Adílio destacou-se no Sete de Setembro pelo seu domínio de bola. Descoberto por Humberto, treinador vinculado ao Flamengo, Adílio ingressou brevemente na Gávea. Persistente, encontrou espaço no Royal, na praia do Leblon, onde continuou a desenvolver suas habilidades.
Adílio, garoto bom de bola da Gávea
Adílio sempre contou com a amizade inseparável de Júlio César, que mais tarde se tornaria ponta-esquerda no Flamengo campeão brasileiro de 1980. Antes de ingressar no futebol de base do clube em 1968, Adílio se ocupava pegando bolas de tênis, enquanto Júlio vendia amendoins. A duradoura amizade entre Adílio e Júlio César acabou se tornando um trunfo para o Flamengo, algo que nem eles imaginavam na época.
Adílio e o Fluminense
Pouca gente sabe, mas Adílio, desde os dez anos, teve sua saga no futebol com reviravoltas curiosas, como o teste no Fluminense: ao tentar a sorte no infanto-juvenil do Flu, ele vestiu a camisa tricolor e teve o pior grilo da sua vida e se sentiu um traidor. Emocionado, treinou chorando e abandonou, porque ele amava (e ainda ama) o Mengão.
Flamengo
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Optando pela Gávea, mesmo inicialmente encostado, Adílio virou a sorte do Flamengo. Desde o dente-de-leite até brilhar no profissional. Formou o melhor meio-campo da história do Fla com Zico e Andrade, colecionando títulos, entre eles, uma Libertadores e um Mundial de Clubes — com direito a gol na final contra o Liverpool. O craque acabou conquistando a galera e se tornado o maior camisa 8 da história rubro-negra, desbancando até o falecido ídolo Geraldo.
Dono de reconhecida maestria no meio de campo, surpreendeu ao jogar de forma eficiente algumas vezes na ponta-esquerda.
Entre outros, Adílio defendeu os times: Flamengo, Seleção Brasileira, TItumbiara de Goiás, Alianza de Lima, Santos do Espírito Santo, América de Três Rios, Avaí e Friburguense.
Apesar das confusas renovações de contrato e uma quase transferência para o Palmeiras, Adílio se manteve uma unanimidade no Flamengo. Com mais de 600 jogos, ele era o terceiro com mais partidas pelo clube. Após sua épica jornada nos gramados, Adílio virou técnico, guiando as novas gerações e retornando ao Fla. Sua alegria contagiosa, seu profissionalismo exemplar e seu legado ficarão gravados na memória dos torcedores do Mengão.
Camisa 8 do Brasil
Devido à imensa concorrência e abundância de craques brasileiros que atuavam no meio de campo durante as décadas de 70 e 80, Adílio teve poucas oportunidades de atuar como titular na Seleção Brasileira, mas uma delas foi épica: a inesquecível vitória sobre a Alemanha no Maracanã, quando Telê escalou o meio de campo do Fla e Adílio foi o melhor em campo, dando até passe primoroso para o gol da vitória por 1 x 0 (marcado por Junior).
O legado do camisa 8 do Flamengo
Adílio, o icônico camisa 8 do Flamengo, é reverenciado até os dias de hoje como o melhor na posição, destacando-se por sua genialidade e estilo único. Sua contribuição vital para um time nada menos que lendário e o seu caráter o tornam um dos mais queridos ídolos na história do Flamengo.














