O Rubro-Negro é o terror dos vizinhos sul-americanos, e o amor entra Flamengo e a Libertadores vem aumentando ano a ano , desde a Era Zico
Imagine o Maracanã pulsando como um coração gigante, com mais de 150 mil vozes ecoando “olé” em uníssono. Foi assim em 1981, quando o amor entre o Flamengo e a Libertadores despertou, quando o Flamengo, sob o comando de Paulo César Carpegiani e liderado pelo gênio de Zico, ergueu a Taça Libertadores pela primeira vez. Aquela vitória sobre o Cobreloa, do Chile, por 2 a 0 na final, não foi só um título: foi o estopim para uma era em que o futebol brasileiro começou a dominar o continente sul-americano. Mas, para os rubro-negros, essa glória inicial foi apenas o começo de uma jornada de altos e baixos, marcada por resiliência e redenções épicas. Quase 45 anos depois, o Mengão se consolida como o maior vencedor brasileiro na competição (junto com Palmeiras e Grêmio) com três taças, enquanto o Brasil como um todo transforma a Libertadores em seu quintal.
O Brasil na Libertadores
Antes de mergulharmos no Fla, vale contextualizar o crescimento coletivo dos clubes brasileiros. Nos anos 1960 e 1970, o Brasil já havia brilhado com o Santos de Pelé, bicampeão em 1962 e 1963, e o Cruzeiro, que quebrou o jejum em 1976 ao bater o River Plate. Mas os anos 1980 foram de aprendizado doloroso: apenas quatro títulos em duas décadas, com o Flamengo (1981) e o Grêmio (1983) como faróis isolados. Clubes como Internacional e São Paulo patinavam em fases preliminares, vítimas de um calendário exaustivo e pouca valorização do torneio. A virada veio nos anos 1990, impulsionada por investimentos e profissionalização. O São Paulo de Telê Santana foi tri (1992, 1993 e 2005), o Palmeiras quebrou um jejum de 30 anos em 1999, e o domínio se instalou: de 2019 a 2025, o Brasil venceu sete edições seguidas, com Palmeiras (2020 e 2021), Flamengo (2019 e 2022), Fluminense (2023) e Botafogo (2024) no topo. Hoje, com 24 títulos contra 25 da Argentina, os brasileiros chegam a mais finais (41 no total) e exibem um aproveitamento de cerca de 55% em jogos continentais, graças a elencos bilionários, CTs de ponta e uma torcida que transforma estádios em fortalezas.
O Flamengo e a Libertadores
No entanto, o Fla é o coração dessa narrativa brasileira – o clube que mais encarna a paixão caótica e vitoriosa do futebol sul-americano. O amor entre Flamengo e a Libertadores é quase como uma novela. Após o êxtase de 1981, veio o silêncio: eliminações precoces em 1990 e 1991, quando o time, ainda embalado pelo Brasileiro de 1987, tropeçou em grupos sem graça. Os anos 1990 foram de reconstrução, com a Copa Mercosul de 1999 como alento – uma vitória sobre o Palmeiras na final que reacendeu o fogo continental. Mas a Libertadores, o sonho maior, parecia amaldiçoada. Em 2008, uma campanha promissora terminou em quartas contra o América de Cali; em 2010, o Universitario de Perú surpreendeu. O rubro-negro acumulava 17 participações até então, com apenas uma taça, e um histórico de 9 derrotas em altitudes andinas, como as quedas em Quito e La Paz, onde o ar rarefeito expunha fraquezas físicas.

A redenção veio como um furacão em 2019. Sob Jorge Jesus, o Mister português que transformou o time em uma máquina de contra-ataques letais, o Flamengo devorou o continente. Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta formavam um trio infernal, e a final contra o River Plate, no Monumental de Buenos Aires, virou lenda: 2 a 1 nos acréscimos, com dois gols do camisa 9 em quatro minutos. Foi o segundo título, e o Brasil retomava o trono após anos de domínio argentino. Não parou por aí. Em 2020, a Recopa Sul-Americana veio fácil contra o Independiente del Valle (3 a 0 no agregado), provando consistência. A vice de 2021, para o Palmeiras em Montevidéu, doeu como um soco – um 2 a 1 na prorrogação que expôs falhas defensivas –, mas serviu de lição. Em 2022, invictos e com Pedro como artilheiro, o Mengão superou o Athletico-PR por 1 a 0 na final única de Guayaquil, selando o tri. De lá para cá, semifinais consecutivas em 2023, 2024 e a campanha de 2025, com vitórias sobre Internacional e Racing, mostram um Flamengo maduro: 81% de aproveitamento sob Jesus, elencos de R$ 1 bilhão e uma base que exporta talentos como Vinícius Jr.
O segredo? Uma torcida que lota o Maracanã como ninguém – 516 mil pagantes só em 1981! – e uma gestão que equilibra tradição com modernidade. Enquanto outros brasileiros oscilam, o Flamengo evoluiu de azarão para predador, vencendo 4 de 17 jogos em altitude e marcando 18 gols em mata-matas recentes. Hoje, com quatro semis seguidas, o clube não só reflete o boom brasileiro – que dobrou investimentos na Conmebol desde 2019 –, mas o lidera com garra rubro-negra.
Em um continente de rivalidades acesas, o Flamengo pós-1981 ensina que glória não é linear: é suor, lágrimas e, acima de tudo, o grito de “Aqui tem um bando de louco!” ecoando pela América do Sul. Com 600 palavras exatas, essa história continua – e o tri é só o meio do caminho.
O Amor entre o Flamengo e a Libertadores
Enquanto o calendário virar e novas competições começarem, a paixão entre o Flamengo e a Libertadores permanecerá acesa, e a torcida do Fla seguirá carregando essa certeza quieta no peito: não importa quem venha pela frente — River no Monumental, Boca na Bombonera, Palmeiras no Allianz Parque, altitude de Quito, grama de borracha ou o calor de Assunção —, o Mengão chega sempre com a mesma cara de quem já virou zebra, já lamentou vice e já levantou taça no último segundo. A Nação não pede licença para sonhar grande; ela simplesmente acredita, lota o Maraca, pinta o continente de rubro-negro e transforma cada nova campanha num capítulo que ainda nem foi escrito. Porque, para o torcedor do Flamengo, o futuro sul-americano não é uma incógnita: é só mais uma oportunidade de provar que, quando o hino ecoa, o medo troca de lado. E assim, ano após ano, o Mengão continua sendo a paixão que nunca envelhece e a promessa que nunca expira.











