Dadá foi um dos maiores atacantes do Flamengo e uma daquelas figuras que só o nosso futebol poderia produzir. Com 926 gols, ele é o quarto maior artilheiro da história, ficando atrás apenas de monstros sagrados como Pelé, Romário e Friedenreich. Ele também era um espetáculo ambulante que com seu dom natural para balançar redes. “Não existe gol feio” diz ele, com sabedoria. Dadá flutuava na área como um beija-flor ou um helicóptero e, entre uma cabeçada certeira e outra, soltava pérolas de humor
Entre Gols, Helicópteros e Beija-Flores
No incrível cenário do futebol brasileiro, onde a realidade muitas vezes se mistura à ficção, um personagem se destaca. Dadá Maravilha, um verdadeiro herói épico temperado com humor e feitos inacreditáveis. Nascido no subúrbio do Rio de Janeiro, o que lhe faltava em técnica e refinamento sobrava em determinação e objetividade; Dadá superou desafios e usou-os como combustível para se tornar um dos maiores artilheiros da história do futebol.
Mesmo com uma infância marcada por dificuldades, Dadá cativou multidões com sua presença carismática e humor afiado. No auge de sua carreira, ele se autoproclamava “Dadá Beija-Flor” por sua habilidade de flutuar na área, aguardando o momento perfeito para marcar. Quem poderia esquecer “Dadá Helicóptero”, voando em campo com a destreza de um piloto, sempre pronto para decolar rumo ao gol adversário? “Me diz o nome de três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá Maravilha”, dizia ele, com a confiança de quem sabe que, com Dadá em campo, não há placar em branco.
Dadá Maravilha, um dos grandes atacantes do Flamengo

Dadá vestiu a camisa do Clube de Regatas do Flamengo entre 1973 e 1974, e, mesmo em sua breve passagem, deixou sua marca. Com 36 gols em 76 partidas, ele participou de um período importante na história do Mengão. “Não venham com a problemática, que eu tenho a solucionática”, era sua filosofia em campo, transformando dificuldades em oportunidades, sempre com um sorriso no rosto.
No Sport Recife, em 1976, Dadá alcançou um feito digno de conto de fadas: marcou 10 gols em uma única partida, na vitória por 14 a 0 sobre Santo Amaro. Foi campeão pernambucano e artilheiro em 1975 e 1976. E então, veio o capítulo glorioso no Internacional de Porto Alegre, onde foi peça chave na conquista do bicampeonato nacional. Liderou a artilharia da competição e abriu o placar na final do Brasileirão de 1976 contra o Corinthians. Imagine a cena: Dadá, em meio a uma defesa perplexa, surgindo como um helicóptero, elevando-se acima dos zagueiros para balançar as redes, provando que “se o gol é a maior alegria do futebol, foi Deus quem inventou Dadá, porque Dadá é a alegria do povo”.
Copa do Mundo de 1970
Na Copa do Mundo de 1970, Dadá integrou a Seleção Brasileira que se sagrou tricampeã mundial. Embora não tenha jogado, seu espírito e humor contagiante deixaram uma marca indelével no time. Afinal, “Se Pelé é Rei, Dadá é Deus”, uma declaração audaciosa que apenas alguém com seu carisma poderia fazer.
Reza a lenda que o falecido João Saldanha, então técnico da seleção brasileira, tinha opiniões fortes e um temperamento difícil. Durante sua preparação para o mundial, ele enfrentava pressão política, especialmente do governo militar, liderado pelo general Emílio Garrastazu Médici, presidente do Brasil na época. Diz-se que o general Médici, grande fã de futebol e admirador do estilo de Dadá Maravilha, teria pedido diretamente a João Saldanha que convocasse o jogador para a seleção. No entanto, Saldanha, conhecido por sua independência, teria respondido: “O presidente escala o ministério, e eu escalo a seleção”. Esse episódio teria marcado o início de um desgaste entre Saldanha e os militares. Pouco tempo depois, ele foi substituído por Zagallo. Assim, Dadá foi convocado para o elenco que conquistaria o tricampeonato no México, mesmo sem entrar em campo.
Me diz o nome de três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá
O que dizer desse homem que flutuava nos campos como quem desafia as leis da física? Fora das quatro linhas, Dadá é uma figura única, um verdadeiro personagem de folhetim. Sempre pronto para uma anedota afiada ou uma frase espirituosa, ele transformava entrevistas em espetáculos, arrancando risadas até dos mais sisudos. Quando questionado sobre sua falta de técnica, respondia com um sorriso maroto: “Eu não sou técnico, sou elétrico!”. Dadá atuou por Campo Grande-RJ, Atlético Mineiro, Flamengo, Sport, Internacional, Ponte Preta, Paysandu, Náutico, Santa Cruz, Bahia, Goiás, Coritiba, América Mineiro, Rio Negro, Nacional-AM, XV de Piracicaba.
Comentarista
Dadá iniciou sua carreira de comentarista no programa “Toque de Bola” do extinto Canal 30 em Belo Horizonte. Seu carisma rapidamente o levou ao “Alterosa Esportes”, na TV Alterosa. Com seu estilo inconfundível, conquistou ainda mais fãs no SporTV. Hoje, o artilheiro está de volta à TV Alterosa, encantando na Bancada Democrática do “Alterosa Esporte” como representante do Atlético Mineiro, transformando cada comentário em um verdadeiro espetáculo.













