Um dos maiores atacantes do Flamengo que descobriu o óbvio: na vida a gente tem que ter amor
Não há como falar dos grandes atacantes do Flamengo sem lembrar de Vágner Love. Ele é daqueles jogadores que a gente sabe o que vai fazer: gol. Não precisa de firula, não precisa de drible desconcertante, não precisa aparecer na capa de revista.
Nascido no Rio de Janeiro em 11 de junho de 1984, foi batizado como Vágner Silva de Souza e ainda hoje carrega um apelido que mostra exatamente o que sempre ofereceu ao futebol brasileiro: amor pelo jogo e respeito pela camisa. Pois é, Vágner Love é daqueles jogadores que correm o tempo todo, não param, nunca ficam de “cai-cai”, raramente se machucam. É o anti-Neymar, se me permitem a heresia.
No Brasil Vágner atuou por times como: Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Vasco, Bangu, Atlético Goianiense, Campo Grande e Sport. Internacionalmente, Love balançou as redes em países como: Rússia, França, China, Turquia e Cazaquistão.
Em 2004, defendendo a Seleção Sub-20 nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, Love foi artilheiro com quatro gols e conquistou medalha de prata. O que lhe abriu as portas para a Seleção Principal, com a qual ajudou o Brasil a conquistar a Copa América duas vezes, em 2004 e 2007.
Vágner Love no Mengão

No Flamengo, Love teve duas passagens que merecem ser lembradas com carinho pela torcida rubro-negra. A primeira veio em 2010, por empréstimo do CSKA Moscou. Naquele Campeonato Carioca, o atacante marcou 15 gols, foi artilheiro da competição e ganhou o prêmio de Craque da Galera. Terminou a temporada com 19 gols. Suas atuações mostraram que ele vestia a camisa com a paixão de quem estava realizando um sonho de infância. Porque Love sempre foi flamenguista declarado.
O retorno aconteceria em 2012, e a cena da apresentação ficou marcada: o homem chorou. Não era choro de emoção vazia, era choro de quem sabia onde queria estar. Vestindo a camisa 99, Love se tornou o artilheiro do time com 24 gols em 52 jogos.
Mas a história teve fim melancólico no ano seguinte, quando alegaram questões financeiras e contratuais com o CSKA para a nova saída. E aqui entra a parte que poucos gostam de contar, mas que Love, com a sinceridade que sempre teve, revelou sem rodeios: sua saída não foi apenas por dinheiro. Foram os problemas políticos do clube, os empresários querendo empurrar seus jogadores para o elenco, a bagunça administrativa que tanto prejudicava o Fla. Love falou porque é daqueles que não enganam ninguém. Subiu na vida pelos próprios méritos, sem pedir favor, sem aceitar conversa mole.
O futebol carioca perdeu a chance de ter Vágner Love por mais tempo no Flamengo. Perdeu por incompetência administrativa, por politicagem de bastidor, por empresário querendo fatia do bolo. Love merecia ter ficado mais, o Flamengo merecia ter aproveitado melhor aquele atacante sincero que só queria jogar bola e fazer gol. Mas o futebol é assim: desperdiça talentos, desperdiça paixão, desperdiça sinceridade. E depois fica se perguntando por que a torcida não acredita mais em ninguém.
Vágner Love, um dos maiores atacantes do Flamengo
A vida profissional de um dos melhores atacantes do Flamengo foi cheia de capítulos interessantes. Pelo Fla, foi herói. Pelo Corinthians, foi profeta. No Palmeiras, pecador. No Vasco, uma sombra. Atuando por Bangu, Campo Grande, Sport e Retrô, foi um menino crescido mostrando paixão pelo futebol.
Atualmente, Vágner Love joga hoje a Série C pelo Retrô, e fala da estrutura do clube com aquele entusiasmo de quem descobriu que ainda existe futebol de verdade longe dos holofotes da grande mídia.
O jogador confessa sentir-se realizado, palavra perigosa num país onde a felicidade é vista com desconfiança e tem gratidão genuína pelos clubes em que jogou. Ele lembra com especial carinho do ataque “Império do Amor” ao lado de Adriano e esteve na despedida do Imperador no Maracanã.
Amor
Vágner Love diz, com a simplicidade de quem entendeu tudo: “Na vida a gente tem que ter amor”. Pronto. Está dito o que milhares de livros de autoajuda não conseguem explicar.












