Algumas lendas do futebol brasileiro diziam “com licença” ou “desculpa aí”, mas o “lorde” Beijoca estava quase sempre no meio da confusão (qualquer confusão) e com uma energia que faria qualquer cavaleiro medieval ter inveja. Uma dose folclórica de “se correr o bicho pega”
Nascido em Salvador, em abril de 1954, e com um faro de artilheiro que o fez brilhar como diamante bruto no futebol amador baiano, Beijoca foi lapidado nos campos juvenis do Esporte Clube Bahia. Ele começou como ponta-direita e chegou a ser emprestado ao Fortaleza, mas logo acabou encontrando sua posição no comando do ataque e sendo promovido a profissional do tricolor baiano.
Atuando novamente pelo Fortaleza, agora como profissional, foi um dos artilheiros do Brasil em 1974, chamando a atenção dos dirigentes de seu ex-clube. Novamente no Bahia, foi bi-campeão estadual em 1975 e 1976, conquistando o coração da torcida em seu retorno triunfal. Depois, foi emprestado ao Sport Recife, mas não brilhou.
Beijoca no Clube de Regatas do Flamengo
Até que em 1979, o Mengão trouxe o polêmico artilheiro para a Gávea, mas ele acabou se destacando muito mais pelas brigas do que pelos gols, embora também tenha deixado sua marca.
Clubes
Além do Flamengo, Beijoca deixou sua marca em diversos clubes pelo Brasil, como: Bahia, São Domingos, Fortaleza, Sport, Catuense, Vitória, Londrina, Leônico, Sergipe, Mogi-Mirim e Guará.
Beijoca, uma das lendas do futebol

Jorge Augusto Ferreira de Aragão, o Beijoca, era um turbilhão de paixão e fúria em campo, possuindo um temperamento que faria Edmundo parecer um monge, uma valentia que deixaria Júnior Baiano no chinelo, e um espírito combativo que superava até o do tetracampeão Dunga. Reza a lenda que seu apelido veio de uma boneca fabricada por uma famosa marca de brinquedos. Enquanto foi jogador de futebol, Beijoca foi um personagem que nem o mais criativo escritor ousaria criar.
A lenda do artilheiro e brigão Beijoca
Na Bahia, onde o futebol se tece com as mesmas cores do acarajé e do abadá, Beijoca ergueu-se como uma labareda desafiando a própria tradição da calma baiana. Cada gol que marcava era como um verso épico numa ode às redes adversárias, e a cada comemoração, seus beijos voavam como flechas para a multidão que o adorava. Sua saga no Bahia foi recheada de conquistas, e sua capacidade artilheira tranquilizava as arquibancadas mesmo nos dias mais tempestuosos.
De fato, Beijoca tinha a bravura dos antigos corcéis de batalha. Em 1976, numa final eletrizante do Campeonato Baiano, chegou à concentração com o sol nascendo, ainda embriagado pela farra da noitada. Ainda assim, graças a banho gelado, comida e glicose, despertou no ônibus no caminho para o estádio. Entre um gole e outro de cerveja, foi contra a vontade do técnico Orlando Fantoni que pisou no gramado da Fonte Nova para consagrar-se, para ser o herói, o goleador que deu ao Bahia o título.
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Um tiro, um treino…
Como um conto de coragem que nenhum bardo esqueceria, Beijoca protagonizou um episódio que seria inacreditável, não fosse ele o protagonista. Certa vez, o ímpeto do destino levou uma bala ao seu pé — sim, um tiro, daqueles que põem meros mortais na cama. Mas no dia seguinte, lá estava Beijoca a correr pelo campo de treino como se cavalgasse sobre o próprio infortúnio. O treinador, incrédulo, só se deu conta do sangue manchando a meia branca do jogador ao fim da sessão. Era a prova de que, para o raçudo Beijoca, o futebol era seu elixir, seu combate sagrado.
Redenção
No percurso das batalhas e dos gols, Beijoca travou um duelo ainda mais desafiador contra o alcoolismo. O homem que uma vez habitou as manchetes por suas controvérsias entregou-se a uma jornada de redenção. Do vício que o assolou, surgiu a força de um novo propósito. Beijoca encontrou na fé evangélica o alicerce para erguer-se, e hoje, transfigurado, ele prega a palavra, não mais com a fúria dos campos, mas com a serenidade daqueles que têm uma nova missão.
Transformação
Mas é na Bahia, onde outrora reinou, que ele resplandece. E, como em um belo pôr do sol no Pelourinho, Beijoca, o ex-craque, hoje pastor, ilumina os corações dos fiéis com mensagens de esperança e transformação. Sua história é um retrato da resiliência humana, do herói que caiu e se ergueu, do rebelde que encontrou paz, da lenda que se tornou exemplo na vida como um verdadeiro campeão do espírito.
O futebol, sempre palco de mitologias vivas, teceu no enredo de Beijoca uma lição eterna: que mesmo os mais temidos guerreiros podem encontrar no mais profundo de sua humanidade a luz para iluminar o caminho de muitos.













