Foi épico! Foram 3 jogos, 3 verdadeiras batalhas campais na Taça Libertadores! E foram 4 gols de Zico!
Vamos falar da histórica batalha ente o Flamengo e o Cobreloa, do Chile, durante as finais da Taça Libertadores da América em 1981. Naquela época, o Rubro-Negro dava show e atraiu nada menos que meio milhão de pessoas ao mitológico estádio Mario Filho, o Maracanã, nas 6 partidas disputadas no Rio de Janeiro, registrando o recorde de público.
Naquele tempo, a pressão de jogar fora de casa contra times da América do Sul era imensa e fatores extra-campo e fora do espírito esportivo eram a rotina. A pancadaria começou no jogo de ida, no Maracanã; os chilenos começaram a “abrir a caixa de ferramentas” já na primeira viagem, algo considerado normal naquela época. Sendo assim, os habilidosos jogadores do time carioca sabiam que teriam pela frente um time muito inferior tecnicamente que iria apelar.
O Cobreloa era considerado um time pequeno e, naquela edição da Libertadores não tinha equipe chilena de peso. Por isso, toda a torcida e a imprensa daquele país abraçaram o time alaranjado. Os jogadores chilenos se empolgaram com o apoio de todos os torcedores dos outros clubes, porque afinal, eram a única equipe chilena na competição.

Tamanha violência que viria não seria uma surpresa total, revelou o zagueiro Mozer, décadas depois. Por se tratar de uma equipe pequena e pela superioridade técnica do Fla, já se sabia que o jogo deles seria muitas vezes apelativo e repleto de catimba. No entanto, o grau de violência e antijogo chilenos foi chocante e pegou os brasileiros desprevenidos numa época em que ninguém tinha internet ou TV a cabo e os adversários eram muito pouco conhecidos (uma realidade bem diferente da deste século).
Explicou Mozer: “Nós desconhecíamos (as intenções dos chilenos) porque não haviam as informações que se tem hoje. Hoje, a ‘papinha’ é toda feita. Então, a gente desconhecia. No jogo de ida, no Maracanã, a gente sentiu ‘uma uma entradinha’ do que seria, mas a gente não ligou, nós achamos aquilo normal porque, naquele período, o jogo bruto era obra da ementa. Já no segundo jogo, os episódios violentíssimos do Mario Soto (zagueiro do Cobreloa)…”.

O ex-jogador do Flamengo e da Seleção relata que as animosidades se acirraram no Rio a partir de uma disputa de bola da qual ele participou. A dupla de zaga do Cobreloa sempre subia ao ataque nos escanteios, sendo que o zagueiro mais alto, Hugo Tabilo, corria para o primeiro pau e Mario Soto ficava mais pelo meio da área numa jogada ensaiada. Por isso o técnico brasileiro Paulo César Carpegiani incumbiu Mozer de marcar Tabilo, que acabou cabeceando o cotovelo do brasileiro num lance que terminou com o chileno sangrando. A partir de então, Soto ameaçou Mozer e passou a distribuir porrada arrebentando Adílio, Zico, Tita e outros atacantes. Mesmo assim, Zico marcou duas vezes e o Fla venceu por 2 x1, felizmente.
Já no jogo de volta, no Estádio Nacional do Chile, a pressão foi mil vezes maior, como o time do Flamengo sendo obrigado a entrar em campo espremido entre ferozes pastores alemães e ainda mais ferozes soldados da tropa de carabineiros armados com fuzis da ditadura chilena, num clima nada agradável, como relatariam os envolvidos. Iniciada a partida, começaram as agressões aos habilidosos atacantes do time que seria a base da Seleção Canarinho nos anos 80. Até que o meia Adílio teve o supercílio aberto; descobriu-se que a truculenta defesa do Cobreloa, sem que o juiz percebesse, atuava com pedras nas mãos para ferir os jogadores do Flamengo. Resultado: Cobreloa 1 x 0 Fla.

Houve então uma terceira partida para decidir o Campeão da Libertadores de 1981, desta vez, em campo neutro. O local escolhido foi o Estádio Centenário, na capital do Uruguai, local histórico que já havia sido utilizado na final da Copa do Mundo de 1930. Já calejados sobres as artimanhas e a deslealdade dos chilenos, os integrantes da melhor equipe de todos os tempos do Clube de Regatas Flamengo firmaram um pacto para focarem somente no futebol, pois a vitória e o título era o que mais importava. E assim foi feito, com Zico marcando novamente 2 gols e dando a vitória à equipe brasileira. Só que, já nos acréscimos, o treinador Carpegiani colocou em campo o atacante Ancelmo, que ficou no gramado o tempo suficiente para arrebentar a cara de Mario Soto, tirando-lhe dois dentes. Reza a lenda, que Soto, mesmo caído, ainda disse que arrebentara 4 brasileiros…Eita!

Pois é, Taça Libertadores naquele tempo era praticamente uma guerra, e esse duelo entre Flamengo e Cobreloa entrou para os anais da história do futebol como o exemplo de como era difícil aquela disputa.
Rumo a Tóquio…












